terça-feira, setembro 20

CÂMERA, PARTE 2:

Opa, nós de novo, gente leitora! Mais uma vez, saudações do Louco!

Pra quem acabou de chegar, no post anterior eu falei algo sobre 'posição de câmera' no livro, narrativa e etecéteras; o assunto dava muito pano pra manga e, só pra variar, escrevi demais. Então, achei melhor dividir a coisa toda pra cansar menos quem lê. Vamos adiante então, agora com Focos de Câmera.

Cada pessoa que conta uma história decide como vai dirigir a atenção da audiência (pra maiores detalhes do que eu quero dizer, leia o post anterior ali embaixo). Até onde me lembro, a narrativa pode ser centrada, múltipla e até atemporal.

Na narrativa 'centrada', você tem o 'campo de visão' de um único personagem; geralmente, o principal. Quem já leu Harry Potter e seu gêmeo olimpiano, Percy Jackson, sabe do que tô falando; o leitor vê o que o personagem principal vê. É um jeito interessante de dirigir a atenção da audiência, porque se você não tenta imaginar o que pode estar escondido nas entrelinhas, vai deduzir só o que o personagem deduz, e pode acabar se surpreendendo muito com certos eventos da história (em Prisioneiro de Azkaban, por exemplo, e tomando cuidado com spoilers, todo mundo acredita que o perigoso fugitivo Sirius Black pretende caçar Harry na sua escola, e é o que o próprio Harry passa a acreditar). É um estilo corajoso, na minha opinião, porque é bem difícil manter o foco o tempo todo apenas onde o personagem principal está, e fazer com a história continue interessante (o gêmeo olimpiano Jackson não consegue isso com tanta propriedade; de quando em quando ele tem visões do que os vilões tão fazendo, por conta de 'seu sangue inconstante'. Uma ótima saída pra tirar o foco do herói um pouquinho). Eu devia tentar algum dia desses, pra ver se consigo. Claro, vou tentar sem o 'sangue inconstante'...

No foco múltiplo, o meu favorito, você tem a visão de fora dos eventos, e como num filme, às vezes vê o que acontece com os personagens principais da história; outras vezes, vê o que acontece aos vilões; em outras, ainda, vê algum evento aleatório que vai interferir na história ou apenas dá ao autor/contador da história um tempinho pra reorganizar as idéias. Um ótimo recurso, e não cansa quem tá ouvindo. Claro, você perde um pouco do elemento surpresa (como na série CSI Las Vegas quando comparada ao Monk; na primeira você deve descobrir o criminoso só no final; na segunda, por vezes, você vê claramente quem foi o criminoso, e a trama se desenvolve mostrando como o detetive chegou na conclusão). Claro, cada autor ou contador de história tem seu próprio estilo e preferência mas, no meu caso, que gosto de bastante variação (e não, nem de longe isso mata as surpresas da história. Leiam alguma coisa que eu já escrevi e confiram ~_^), é o melhor estilo.

E também tem o foco atemporal. Filmes como Efeito Borboleta, Matrix e alguns outros do tipo, ou livros como O Guarani são mestres nesse tipo de câmera, onde você ora tem os eventos rolando no presente e, então, viaja no tempo pra ver algo do passado que explica a ação de agora. Ou vai pro futuro, mostrar uma consequência disso. Um estilo bem ousado, e exigente, pra se trabalhar. E, pessoalmente, não sei se é uma boa idéia; muita gente que vê os filmes/lê os livros/whatever acaba reclamando que se perdeu, não entendeu isso ou aquilo... Pra mim, parece aquele quebra-cabeça enorme que, sem uma ou duas peças, deixa de fazer sentido. Pelo grau de dificuldade, é muito interessante de se trabalhar; pelo retorno em satisfação de quem ouve a história - o verdadeiro lucro de qualquer contador de histórias, a meu ver - , deixa muito a desejar. Ou, pelo menos, exige extrema precisão pra se usar direito.

Hm, e acho que chega. Já ficou meio grande demais, de novo, e deu pra cobrir os pontos principais. Se alguém tiver algum outro foco que eu não comentei, ou discordar de algo que eu disse, bom, os comentários tão aí pra isso ^^ Mas paremos por aqui, por ora.

Forte amplexo do Louco!

4 comentários:

Vivi disse...

O livro One Day do David Nichols tem uma narrativa muito legal. Ele segue o ponto de vista de duas pessoas, mas apenas durante um dia, 15 de julho, e segue por 20 anos. É o máximo pq vc le como eles estão num ano, no ano seguinte já estão diferentes e aquelas coisas com que se preocuparam já passou.... eu gostei pra caramba.

Louco disse...

... Parece interessante, nee-chan, mas confesso que me perdi ali. Como assim, 'segue por apenas um dia', e segue por vinte anos...? Ah, peraí, acho que entendi. Ele fica seguinte por vinte anos, um dia por ano. Tá, beleza. Hm, a idéia parece mesmo muito boa! Me pergunto se seria capaz de fazer algo assim...

E, viu, que história é essa de ficar por causa da carona? Vc tá levando ou sendo levada?

Bjon do otouto (o relatório do CAIniversário tá me empatando um pouco, então o emeio tá em pausa. Mas calma, que eu espero retomar logo ^^)

Vivi disse...

Meu pai que me busca na faculdade, pq é caminho de volta dele da igreja, o ruim é q quando a aula termina mais cedo tenho q ficar esperando.

E sim, vc entendeu certo. Acho que vc gostaria de One Day. Leia antes que saia o filme, hein.

Louco disse...

Meio embaçado. Entendo que vcs conseguem deixar um carro a menos na rua, pá e tals... mas ficar esperando nunca foi das minhas coisas favoritas. Sempre preferi ir andando, de ônibus ou o que fosse (aprendi ainda no primeiro que meus pais sempre vinham, mas as vezes demoravam pra caramba. E enquanto criança stressada feito tiozinho, dava uma dor de estômago desgraçada até minha mãe chegar nas reuniões de pais ^^)

Sugestão do One Day anotada. E devo postar algo novo em breve.

Bjon do otouto - e vc leu o relatório do CAIníver? ^^